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sábado, 4 de julho de 2020

Comitê científico alerta para 'efeito bumerangue' em Fortaleza com aumento de casos de coronavirus no interior do Ceará

Colocar barreiras em todas as rodovias que ligam Fortaleza ao interior do Ceará estão entre as recomendações do comitê ao estado — Foto: Helene Santos/SVM
Foto Helene Santos/SVM
O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste alerta, em seu 9º boletim, que a cidade de Fortaleza pode vir a sofrer com o chamado 'efeito bumerangue', decorrente do processo de interiorização dos casos de Covid-19, uma tendência verificada em maio e concretizada no mês de junho.

"Todas as capitais brasileiras podem se deparar com o cenário no qual uma verdadeira avalanche de casos graves, advindos do interior, voltariam a produzir uma sobrecarga dos seus sistemas hospitalares, ameaçando-os com um colapso em um intervalo de tempo muito curto", aponta o comitê.

Segundo o boletim, os casos confirmados da doença no interior do Nordeste estão dobrando em uma proporção que chega a ser duas vezes maior que as capitais. Na Grande Fortaleza, os casos dobram em aproximadamente 12 dias, enquanto que no interior do Ceará dobram em apenas 7.

O documento estende o alerta a todas as capitais do Nordeste, em especial àquelas onde houve relaxamento do isolamento social, como São Luís, Recife e a própria capital cearense que iniciou, no último dia 22 de junho, a fase 2 do Plano de Retomada Responsável das Atividades Econômicas e Comportamentais.

"Este Comitê continua vendo com extrema preocupação qualquer iniciativa de relaxamento social, tanto no Nordeste como no Brasil, que não se baseie nos critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS)", diz outro trecho do documento.

O texto reconhece que o isolamento social rígido implementado em Fortaleza, o chamado 'lockdown', trouxe efeitos comprovadamente positivos para desacelerar o aparecimento de casos do novo coronavírus no estado e reduziu as taxas de ocupação de leitos de enfermaria e UTI. No entanto, o boletim indica que as curvas da doença no Ceará, Piauí e Maranhão "ainda não mostram claramente a ocorrência de um pico ou platô".

De acordo com o coordenador do Comitê Científico do Consórcio Nordeste, o neurocientista Miguel Nicolelis, o efeito bumerangue é preocupante. "Os casos foram para as capitais, depois se espalharam para o interior e começam a retornar para as capitais, como São Luis, Fortaleza e Salvador. Temos a preocupação que essa onda de casos do interior tenha efeito nas capitais", ressaltou em coletiva virtual realizada na manhã desta sexta-feira (3).

Barreiras e bloqueios em rodovias

Para evitar a propagação da doença no Ceará, especificamente, o comitê recomenda que sejam colocadas barreiras em todas as rodovias que ligam Fortaleza ao interior do estado. E ainda que haja um possível bloqueio intermitente no tráfego de carros particulares e de ônibus intermunicipais. Exceto no que se refere ao tráfego de transporte de carga essencial ou de pacientes.

Outra recomendação do comitê é a implantação de um programa estadual de Brigadas Emergenciais de Saúde voltados para "quebrar" as altas taxas de contaminação nas cidades interioranas.

Também presente na coletiva, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia e físico Sérgio Rezende reforçou ainda a importância do uso da máscara em todo o país e da manutenção do isolamento social. "Está muito claro para a comunidade científica que, como não existe tratamento farmacológico pra combater a Covid, a única receita da ciência é o isolamento social. É importante o uso da máscara. Está comprovado cientificamente que a máscara impede que passem gotículas de uma pessoa pra outra".

Com informações do G1 Ceará.

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